ALTERNA FUT ENTREVISTA - Marcelo Ramos

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Barcelona - Símbolo Histórico da Catalunha

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JOGADORES ESQUECIDOS - Jonathan Reis

Reis jogou a champions league aos 18 anos, mas três anos depois sofreu uma grave lesão que afetaria sua carreira. Confira sua história!

terça-feira, 30 de junho de 2020

Uberlândia 0 x 1 Uberaba | Taça Minas Gerais 2010 | Memória do Interior #05

Por: Gustavo Forapani


Quando as temporadas começam, algumas coisas são certas, uma delas é que os times do interior buscarão um lugar ao sol, seja com uma boa campanha no estadual ou alcançando feitos em âmbito nacional. Em Minas Gerais não é diferente, devido à força dos times da capital, o objetivo do interior é correr atrás da “quarta vaga” e se agarrar em uma classificação para competições nacionais, seja a Copa do Brasil ou Série D.

Até alguns anos atrás, era disputada a tradicional Taça Minas Gerais - sua última edição foi em 2012 – que contava com a participação das equipes do interior e garantia uma vaga para a Copa do Brasil, além da possibilidade ímpar do clube garantir um título. Em 2010, a final foi ainda mais interessante ao colocar frente a frente os rivais do Triângulo Mineiro, Uberlândia e Uberaba.

Na partida de ida, disputada em Uberaba, melhor para os mandantes que venceram pelo placar mínimo e foram disputar a volta em vantagem, já para a equipe do Uberlândia, só a vitória interessava. A primeira etapa foi como se esperava e contou com a iniciativa dos donos da casa que criaram algumas chances, mas não aproveitaram, parando na defesa adversária e na falta de pontaria.

O Uberaba que não tinha nada com isso, em um contra-ataque abriu o placar, cruzamento para a área e na tentativa de cortar, Matheus cabeceou contra o próprio patrimônio, aumentando a vantagem dos visitantes no placar agregado. Na etapa final, a pressão pelo gol dos mandantes aumentava, a equipe partia ao ataque e os visitantes se seguravam como podiam.

Já caminhando para o fim do jogo, o Uberlândia seguiu criando algumas chances, mas não foram suficientes para reverter o placar. Assim, o Zebu sagrou-se bicampeão consecutivo da Taça Minas Gerais – terceira conquista na história, essa com gosto especial, na casa do seu maior rival. Uma conquista que sua torcida jamais esquecerá!

FICHA TÉCNICA
Uberlândia 0x1 Uberaba
Competição: Taça Minas Gerais | Final | Jogo de volta
Local: Parque do Sabiá, em Uberlândia/MG
Data: 28/11/2010
Gols: Matheus (contra)



domingo, 21 de junho de 2020

Atlético/MG 0x2 Tombense | Módulo I | 2014 - Memória do Interior #4



O ano era 2014, o Atlético/MG vinha embalado pelo último ano de conquistas e por um feito marcante no futebol brasileiro, a equipe havia sofrido apenas um revés no Independência desde sua reinauguração em 2012. Em um intervalo de quase dois anos, a equipe havia sido derrotada apenas pelo xará paranaense, mas o Tombense tratou de mudar essa escrita...

Durante a partida, o clube da capital não se encontrava e o Tombense logo na etapa inicial abriu o placar com Junior Negão que aproveitou saída ruim do goleiro Victor. Vaiado pela torcida e aberto em busca do empate, o Atlético acabou cedendo espaços à equipe do interior e o restante do primeiro tempo tornou-se bastante aberto, mas o placar seguiu inalterado.

Na etapa final, as equipes seguiram sem grandes chances, o time de Tombos aproveitava a desorganização alvinegra para garantir a vitória, mas quase no fim da partida, pênalti para os donos da casa, Tardelli para a bola... E Flávio fez ótima defesa impedindo o que seria o gol de empate. Já nos acréscimos, Rafael confirmou a vitória dos visitantes ao marcar em ótimo contra-ataque.

Essa vitória pela 3ª rodada foi importantíssima para o Tombense que deu um grande passo nessa campanha que culminaria com sua permanência no Módulo I (onde segue até hoje), além de ter conseguido o feito de ser a primeira equipe do interior de Minas a vencer o time atleticano no “novo” Independência.

FICHA TÉCNICA

Atlético/MG 0x2 Tombense

Competição: Campeonato Mineiro | Módulo I | Primeira fase | 3ª rodada

Local: Independência, em Belo Horizonte/MG

Público: 4.483

Data: 06/02/2014

Arbitragem: Émerson de Almeida Ferreira (MG), Márcio Eustáquio Santiago (MG) e Felipe Souza Leal (MG)

Gols: Junior Negão (25’1T) e Rafael Pernão (46’2T)

Atlético/MG: Victor; Marcos Rocha, Jemerson, Leonardo Silva e Dátolo; Pierre, Josué (Rosinei), Diego Tardelli, Guilherme (Neto Berola) e Fernandinho (Leonardo); Jô. Técnico: Paulo Autuori.

Tombense: Flávio; Leonardo, André, Mailson e Wanderson (Rafael Pernão); Júlio César, Jackson (Denilson), Joílson e Thiago Azulão (Felipe Dias); Vanger e Júnior Negão. Técnico: Moacir Júnior.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

1896 - Quando Liverpool e City foram campeão e vice da Segundona Inglesa


Por Yan de Abreu


Esta semana marca o retorno das atividades do Campeonato Inglês, temporada que provavelmente coroará o 19º título inglês do Liverpool, seu primeiro da era Premier League. Atrás dos Reds vem o Manchester City, o atual campeão. Contudo, não é de agora que City e Liverpool disputam diretamente títulos no futebol da terra da rainha. O Alterna hoje relembra uma batalha acirrada entre essas duas equipes pelo caneco da segunda divisão que ocorreu há 124 anos, no ano de 1896.


Os participantes da Segundona Inglesa e suas localizações - 1895/96

Contextualização do período.

A temporada 1895-96 marcava a quarta edição da segunda divisão inglesa, criada em 1892-93. O Liverpool retornava a divisão de acesso após terminar na lanterna da primeira divisão no ano anterior e perder os playoffs de descenso para o Bury FC. Por sua vez, o Manchester City ainda desejava conquistar seu espaço na divisão de elite, mas até aquele momento, só havia conseguido posições discretas na segunda divisão.

O campeonato.

Sendo o único time que havia descido da primeira divisão, os Reds iniciaram a competição mostrando a sua força vencendo os seus primeiros cinco jogos, com direito a três goleadas: 5x1 sobre Newcastle e Port Vale e 4x1 sobre o Burton Wanderers. Contudo, após essa arrancada, o Liverpool apresentou um período de instabilidade que englobou os meses de outubro e novembro de 1895.

Nesse período, os Reds disputaram 11 jogos, na qual tiveram êxito em cinco partidas, empataram uma vez e foram derrotados seis vezes, todas fora de seus domínios. Os destaques desta sequência, sem dúvidas, foram os confrontos frente ao Manchester United, seu arquirrival. Em Liverpool, os Reds passaram o trator, vitória de 7x1 sobre o Newton Heath, antigo nome do United. Já em Manchester, os diabos vermelhos revidaram: goleada por 5x2, sendo o revés mais pesado do Liverpool naquele campeonato
.
Após este período conturbado, os Reds retornaram aos trilhos, emendando dez vitórias seguidas, sendo metade delas por goleada, deixando claro que a sua disputa seria pelo título. Destaque para as goleadas de 10x1 sobre o Rotherham Town e 7x0 sobre o Burton Swifts, equipes que já não existem mais.


Melhores resultados do Liverpool na competição

Ao contrário do Liverpool, que passou por uma sequência de instabilidade, o Manchester City teve uma temporada mais equilibrada, com derrotas espalhadas ao longo da campanha e boas sequencias de vitórias. Iniciou o torneio com três vitórias seguidas até sofrer sua primeira derrota, e bem pesada, diga-se de passagem, uma goleada de 5x0 para o Grimsby Town, equipe que também despontava como candidata ao título.

Após essa goleada, o City venceu o Arsenal pelo placar mínimo e empatou o derby contra o United por 1x1. Após o derby, os Citizens emendaram 5 vitórias até sofrer outra goleada, 4x1 para o Burton Wanderers. Após a parada do final de ano, durante os meses de janeiro e fevereiro de 1896, os Sky Blues conheceram a sua maior sequência de triunfos no torneio, sete vitórias seguidas, com direito a goleadas sobre Newcastle, Crewe e Loughborough FC, 5x2, 4x0 e 5x1, respectivamente.


Melhores resultados do City na competição

Na reta final da competição, o City ainda sofre duas derrotas pesadas para Notts County, 3x0, e Newcastle, 4x1, revezes que complicaram o time na disputa pelo título, restando apenas a luta pelo playoff para o time azul de Manchester.

Confrontos direto entre as equipes.

Curiosamente, os confrontos entre Liverpool e Manchester City ocorreram, ambos, já no ano de 1896, sendo o primeiro deles logo no retorno da pausa de final do ano, no dia 01/01. Até aquele momento o Liverpool ocupava a liderança da competição com 27 pontos, já os Citizens estavam em terceiro com 24 pontos, mas com cinco partidas a menos que os Reds. 
Tabela antes do jogo da ida entre City e Liverpool

O confronto se deu em Anfield, e puxado por sua torcida, o Liverpool não deu sopa ao azar e venceu o City por 3x1. O resultado permitiu o time vermelho se isolar um pouco na liderança, visto que o segundo colocado, o Burton Wanderers iria ser derrotado três dias depois pelo Darwen por 3x0, estacionando com 25 pontos.


Tabela antes do jogo da volta entre City e Liverpool

Já, o jogo da volta aconteceria no Hyde Road, em Manchester, e teria um caráter decisivo. Como não havia uma tabela de jogos fixa, o confronto seria o último jogo em disputa para o Liverpool, já para o City ainda restariam os confrontos frente Leicester e Notts County.

Os Citizens precisavam vencer se ainda almejassem o título, contudo, não foi o que aconteceu. Jogando em casa, o City empatou com o Liverpool por 1x1, dando adeus ao título. 



Os confrontos entre Liverpool e City. 

Os Sky Blues ainda venceram os últimos confrontos e terminaram igualados em pontos com o Liverpool, mas acabaram sendo vice-campeões pelo número de vitórias, 22 contra 21.


Classificação Final

Playoffs de Acesso.

Finalizado o campeonato, Liverpool e Manchester City, campeão e vice da segunda divisão, foram disputar os playoffs de acesso. Na época não havia acesso direto, os dois primeiros colocados da segunda divisão tinham que enfrentar os dois últimos colocados da primeira divisão e vencer para conseguir subir. 


          
Equipes que disputariam o Playoff naquele ano




No ano de 1896, esta fase sofreu uma modificação: ao invés de um confronto mata-mata, foi realizado um pequeno torneio na qual cada time da segunda divisão enfrentaria as equipes da primeira, em jogos de ida e volta. Os adversários seriam West Bromwich Albion e o Small Heath, o atual Birmingham City.

Embalado pela grande campanha na segunda divisão, o Liverpool não tomou conhecimento dos seus adversários. Na primeira rodada, recebeu o Small Heath e goleou por 4x0. Na partida de volta, em visita a Birmingham, ficou no 0x0. Já na segunda rodada, venceu a WBA por 2x0 em casa, perdeu pelo mesmo placar no jogo da volta. A derrota não foi muito relevante pois a vaga na primeirona já havia sido garantida.

Confrontos e tabela dos playoffs

Por sua vez, o City não se mostrou forte perante os times que vinha da elite. Na primeira rodada, empatou em casa contra a WBA por 1x1. Já a visita a West Bromwich não foi muito positiva... os Citizens foram atropelados pelo time da casa por 6x1. Na segunda rodada, os Sky Blues receberam e venceram o Small Heath por 3x0 e a chama da esperança ainda se mantinha acessa. Contudo, o jogo da volta foi ainda mais traumatizante, o Manchester City sofreu uma acachapante derrota de 8x0 frente ao time de Birmingham. Ao fim do minitorneio, o Liverpool conseguiu o acesso e a WBA permaneceu na divisão de elite.

A temporada de 1895-96 acabou sendo de sorrisos some para o time vermelho de Liverpool. O Manchester City somente conseguiu o seu primeiro acesso três anos depois, na temporada 1898-99.

domingo, 14 de junho de 2020

Cruzeiro 0x1 Rio Banco | Módulo I | 2008 - Memória do Interior #3



Início do estadual de 2008 e o Rio Branco, clube de Andradas/MG, aparecia como grata surpresa, brigando por uma vaga entre os semifinalistas da competição, em sua sequência inicial, o clube conquistou 12 pontos em sete rodadas, sofrendo apenas uma derrota. Lembrando a equipe do ano anterior, o time destacava-se pela garra e alguns bons talentos individuais, principalmente em seu setor ofensivo.

Pela oitava rodada da competição, o primeiro grande desafio, pois a equipe enfrentaria o bom time do Cruzeiro fora de casa. Focado na Copa Libertadores e sofrendo com algumas lesões, a equipe celeste poupou alguns atletas, mas o clube do interior não tinha nada com isso e não poupou esforços...

A última vitória do Rio Branco sobre o clube da capital havia ocorrido há sete anos em Belo Horizonte/MG, mas a partida aconteceu no estádio Independência, portanto buscava sua primeira vitória diante do Cruzeiro no Mineirão.

Em uma primeira etapa morna, o placar permaneceu inalterado. Início da etapa final e um lance que entrou para a história do Mineirão, em uma falha bisonha do goleiro Andrey que saiu da meta para fazer defesa tranquila, mas perdeu o tempo da bola em uma saída estabanada (não sei se é o termo correto para descrever tal ação) e viu o oportunista Bruno Mineiro (nos anos seguintes, o atleta fez sucesso jogando por Athlético/PR e Portuguesa/SP) abrir o placar.

No fim, pressão cruzeirense, algumas bolas da trave e excelente defesa de André Zandoná aos 44’ garantiram o placar de 1x0 e vitória azulina no Mineirão. No fim da competição, o Cruzeiro acabou se sagrando campeão e o Rio Branco não se classificou ao mata-mata, mas a histórica vitória na capital entrou para a lista de grandes feitos do clube andradense.

FICHA TÉCNICA

Cruzeiro 0x1 Rio Branco

Competição: Campeonato Mineiro | Módulo I | Primeira fase | 8ª rodada
Local: Mineirão, em Belo Horizonte/MG

Público: 5.930

Data: 13/03/2008

Arbitragem: Álvaro Azeredo Quelhas (MG), Jair Albano Félix (MG) e Janette Mara Arcanjo (MG)

Gols: Bruno Mineiro (04’2T)

Cruzeiro: Andrey; Apodi, Léo Fortunato, Thiago Martinelli e Jonathan; Sandro Manoel (Joabe), Elicarlos (Marquinhos Paraná), Zé Eduardo, Marcinho e Leandro Domingues (Wagner); Marcel. Técnico: Adílson Batista.

Rio Branco: André Zandoná; Pepe, Zé Roberto, André Alves e Mendes; Rodrigo Costa, Anderson, Cláudio Britto e Régis Pitbull (Rodriguinho); Luizinho (Wendel) e Bruno Mineiro (Leandro). Técnico: Alemão.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Um atípico 12 de junho


por: Rodolfo Silva

O ano é 2016, Chiquito acordou, pegou seu celular e mandou mensagem para Livinha “Bom dia, muié. Feliz dia dos namorados”. Horas depois Livinha acordava e respondia a mensagem. Os namorados combinam de almoçar junto na casa de Chiquito, afinal era domingo e dia dos namorados. Para ambos era um dia muito especial, afinal estavam ainda no primeiro ano de namoro.

Chiquito, cruzeirense fanático, estava ansioso para o relógio bater 16h, afinal era dia de clássico e não conseguia parar de pensar nisso. Enquanto Livinha, toda meiga, preparava um almoço caprichado, Chiquito ouvia a Rádio Itatiaia pelo celular para entrar no clima do jogo e bebia seu latão de Brahma que estava ‘trincando’ após ficar mais de uma hora no congelador. Livinha ficou tão entediada com os comentários esportivos, que pegou o fone de ouvido e foi ouvir suas músicas.

Aquele domingo já era especial pela data comemorativa, e por ter clássico mas tinha outro ingrediente especial: o atacante Fred. O artilheiro teve passagem marcante no início da década pelo clube celeste (marcando mais de 50 gols) e era muito querido pela torcida azul, Chiquito sempre que via o atacante fazer grandes jogos gritava “Fred guerreiro volta para o Cruzeiro”.

Quis o destino que Frederico retornasse a terra do pão de queijo naquela semana, mas não para o clube celeste: Fred fechou contrato com o clube que vive ‘do outro lado da lagoa’ e a partir daquele dia vestiria o manto alvinegro do Atlético, o maior rival do clube celeste e estrearia naquele domingo, justamente contra o Cruzeiro.

Frederico Chaves Guedes, o Fred. O Homem responsável pela discórdia no 12 de junho. 
(Foto/ Maurício Paulucci)

Livinha queria sair para aproveitar o dia dos namorados, mas Chiquito se recusava a sair, pois queria ver o jogo. O Cruzeiro estava mal aquele ano, o time era treinado pelo português Paulo Bento e estava na zona de rebaixamento e dois pontos atrás do rival. Livinha não dava a mínima para isso, e, aquele dia, tão esperado pela namorada, estava se tornando um tédio para ela: as duas horas entre o almoço e o início da partida pareceram 20 horas.

Quando a partida começou, Livinha respirava aliviada, sua respiração parecia comemorar que o clássico enfim começava (Chiquito só se lembrou disso no outro dia, pois naquele dia a mente estava em outro lugar).

O primeiro gol saiu e foi do Atlético, a garota ria enquanto Chiquito esbravejava contra a defesa “inaceitável esse gol de falta do Rafael Carioca” e dizia outras palavras não muito agradáveis contra a barreira do Cruzeiro, que se abriu no momento do gol. Mas cinco minutos depois Chiquito comemorava a jogada de Arrascaeta na linha de fundo que resultou em gol de Alisson. A namorada antes entediada, apenas observava a reação de seu companheiro durante o jogo, sem entender muito, mas considerando absurdo o futebol envolver tantas emoções.

Aquele domingo se tornava cada vez mais incomum quando Riascos fez gol. Aquele mesmo atacante que havia perdido um pênalti no último minuto em 2013 contra o mesmo Atlético na libertadores, quando vestia a camisa do Tijuana, marcava o segundo gol celeste. Naquele momento Chiquito ficou incrédulo e soltou baixinho duas palavras “Nunca Critiquei”. Livinha ficou sem entender, mas começava a rir da situação.    

Que dia louco! Até o Riascos marcou gol.. (Foto/ Light Press)

Quis o destino que esse jogo fosse de muitos gols e expulsões, fazendo com que uma explosão de sentimentos como alegria e raiva tomassem conta de Chiquito durante a partida. Enquanto isso, Livinha contava os minutos para acabar o jogo (queria logo sair para aproveitar o dia dos namorados). Mas o momento mais tenso do dia foi quando Frederico marcou o gol de empate do Atlético no inicio do segundo tempo: Chiquito soltou palavrões e deu um soco na cama onde estava sentado. Livinha nesse momento se zangou e começou a reclamar com o namorado: “isso não é coisa que se faz, cê tá doido?” esbravejava.           

Depois de muitos momentos tensos e reclamações, Chiquito pôde comemorar novamente quando Bruno Rodrigo, de peixinho, pôs o clube celeste à frente do placar novamente. Livinha não comemorou esse gol com o namorado, ainda estava brava pela reação do namorado no momento do gol de Frederico.      

Aos 48 do segundo tempo o árbitro apitava o fim da partida: o Cruzeiro vencia o Atlético por 3 a 2, saía da zona de rebaixamento, ultrapassava o rival e o mandava para o Z-4.

Livinha comemorou o fim da partida como se fosse cruzeirense, mas a gente sabe que foi porque enfim ela poderia ter seu dia dos namorados como merecia.


domingo, 7 de junho de 2020

UNIÃO DE SEIS CAMPEÕES NACIONAIS - Conheça a história do Racing Fc Union Luxembourg

Por: Yan de Abreu

Conheça a história de um dos mais tradicionais times do campeonato de Luxemburgo!

Maior time da capital de Luxemburgo, o Racing-Union traz em sua história uma linhagem repleta de glórias e títulos. Suas origens remontam a 3 clubes da capital que dominaram a primeira década do Campeonato Luxemburguês, o US Hollerich, o Sporting Club Luxembourg e o Racing Club Luxembourg, este sendo o primeiro campeão do pais em 1910.

A situação mudou durante a década de 1920. Com o crescimento de equipes do interior, como Fola Esch e Red Boys Differdange, o trio da capital se viu obrigado a iniciar um processo de fusões visando melhorar o desempenho esportivo. Assim, em 1923, Racing e Sporting se fundiram, dando origem ao Spora Luxemburgo, sendo o nome a união dos nomes das duas equipes, Spo - Sporting e Ra – Racing. Dois anos mais tarde, o US Hollerich se fundiu com o JS Verlorenkost surgindo o Union Luxemburgo. Ainda em 1925, surge o Aris Bonnevoie. Estava formado o novo trio metropolitano, Spora, Union e Aris, trio responsável por diversas glórias, totalizando 20 títulos do campeonato, além de 19 Copas e diversas participações em competições europeias.
Árvore Genealógica do Racing Union

Contudo, com a chegada dos anos 2000, novas dificuldades se apresentaram as equipes da capital. Com a ausência de títulos de grande expressão, o esvaziamento dos estádios e más administrações, o trio da Cidade de Luxemburgo se viu forçado a recorrer novamente as fusões. 

Títulos de Campeonato Nacional do Racing Union

Em, 2001, o Aris se une ao CS Hollerich e dá origem ao Alliance 01. União, esta, que não deu certo visto que não ouve melhoras no quadro esportivo. Por sua vez, em 2005, uma interferência externa foi decisiva para o surgimento do Racing Union. O prefeito e os conselheiros da capital pressionaram e obrigaram Spora, Union e Alliance a se fundirem, dando origem ao atual Racing FC Union Luxembourg.

Contudo, os políticos que idealizaram a fusão não levaram em consideração o poder destrutivo de um péssimo gestor pode causar em uma equipe. Tendo a frente, o então presidente do francês ESTAC Troyes, Daniel Masoni, o Racing Union foi rebaixado da primeira divisão em 2014, fato inédito na história do campeonato Luxemburguês.
Títulos de Copa Nacional do Racing Union

Com um novo presidente, o clube se reestruturou, subiu e voltou a se estabelecer no cenário nacional com o título de 2018 da Copa de Luxemburgo. Na atual temporada, o Racing-Union terminou na sétima colocação, lembrando que não houve campeão nem rebaixamento, visto que o campeonato foi encerrado de forma antecipada, devido a pandemia do COVID-19.
Classificação final da temporada 2019-20 do Campeonato de Luxemburgo.
*Campeonato foi encerrado antes do previsto devido a pandemia do Covid-19.


quinta-feira, 14 de maio de 2020

#TBT - O Dia em que Pelé jogou pelo Fla!

Por Rodolfo Silva

Quem acompanhou o futebol na década de 60 até a metade de 70, certamente queria ter visto o Rei Pelé vestir a camisa do seu clube do coração. Se algum flamenguista da época tinha esse sonho, ele foi realizado em abril de 1979, quando o Rei resgatou suas chuteiras que estavam penduradas e vestiu a camisa do Fla para jogar ao lado de Zico. Mas calma, ele não abandonou a aposentadoria, foi apenas para uma partida, em um ato nobre.

Nos dois primeiros meses daquele ano, várias chuvas atingiram Minas Gerais e deixaram inúmeras famílias desabrigadas. Flamengo e Atlético Mineiro marcaram um jogo amistoso beneficente para Abril, em que a renda seria revertida para as vítimas da chuva do estado. 

Pelé, já aposentado, recebeu o convite para jogar essa partida pelo Flamengo e aceitou. Para ver de perto aquele jogo onde o Rei jogaria com a consagrada camisa 10 de Zico, que ficaria com a 9, quase 140 mil pessoas foram ao estádio e geraram uma renda de 8 milhões de Cruzeiros.

O rei já vestiu o manto rubro-negro! (Foto/Reprodução: Site Oficial do Flamengo)

O jogo:

Apesar de contar com o Rei do Futebol no time, o Flamengo saiu perdendo: Marcelo Oliveira, hoje treinador (ex-Cruzeiro, Atlético-MG. Coritiba) abriu o placar para o galo mineiro aos 21.

14 minutos depois, Pelé teve a grande chance de marcar pelo clube carioca: pênalti assinalado em Tita. Zico pegou a bola e ofereceu gentilmente ao Rei, que se recusou a bater e deixou a missão para o Galinho que vestia a 9 nessa partida, empatar o jogo.



Alguns dos lances do Rei com a camisa do Fla / Reprodução: Baú do Esporte.


Ao término do primeiro tempo, Pelé saiu e não jogou mais.

Curiosamente, sem o convidado de honra, o Fla dominou a partida na segunda etapa e aplicou uma sonora goleada no Atlético: 5 x 1 foi o resultado final da partida.

Quem sai para a entrada do Rei?
O Técnico do Fla, Cláudio Coutinho passou por uma dilema enorme: quem ele tiraria do time para colocar o Pelé?

A resposta veio no coletivo, um dia antes da partida: "Quem o Coutinho ia tirar daquele timaço? Então, no coletivo de quinta, antes do jogo, o Adílio caiu depois de levar uma pancada. Não era nada, mas já entraram com o gesso na mão e ele acabou ficando de fora" explicou o ponta Júlio César em entrevista.

Ficha Técnica da Partida:

Flamengo 5 x 1 Atlético-MG

Data: 6 de abril de 1979
Local: Maracanã
Público: 139.953 pagantes
Renda: CR$ 8.781.290,00
Árbitro: Walquir Pimentel
Auxiliares: José Carlos Moura e Roberto Coelho

Gols: Marcelo (21 do primeiro tempo), Zico (35, 10 e 14 do segundo tempo), Luisinho (28) e Cláudio Adão (39)

Flamengo: Cantarelli, Toninho, Rondinelli (Nelson), Manguito e Júnior; Andrade, Carpeggiani (Ramirez) e Pelé (Luisinho); Tita, Zico (Cláudio Adão) e Júlio César (Reinaldo). Técnico: Cláudio Coutinho

Atlético-MG: João Leite, Alves, Osmar, Luisinho e Hilton Bruniz; Toninho Cerezo, Marcelo (Carlinhos) e Paulo Isidoro; Serginho (Pedrinho), Dario e Ziza (Vilmar). Técnico: Procópio Cardoso

segunda-feira, 11 de maio de 2020

AF ENTREVISTA #02 - Lucas Straub (FC Dusheti/Geórgia)

Um brasileiro atuando na Segunda Divisão do Campeonato da Geórgia. Lucas Straub, zagueiro de 1,87m natural de Petrópolis conta com exclusividade ao AlternaFut como é atuar em um país tão distante geográfica e culturalmente. 
Por: AlternaFut

Imagine que você tem o sonho de jogar profissionalmente: Barcelona, Liverpool, Juventus, PSG - essas são equipes em que você provavelmente gostaria de atuar: maior estrutura, maiores salários, mais visibilidade e competições com os maiores craques do mundo. Sim, há brasileiros que chegam lá, mas esses atletas que alçam esse vôo são exceções.  

A realidade de muitos brasileiros que atuam profissionalmente no esporte é bem diferente: a cada trimestre ou semestre estão rodando por clubes de norte a sul no Brasil ou vão atuar  profissionalmente em outro país, em busca de melhores condições de trabalho.

Lucas Straub, atleta de 25 anos que hoje joga pelo FC Aragvi Dusheti, na Segunda Divisão da Geórgia, já atuou por mais de 5 estados, 11 times e três países diferentes em 6 anos e nos conta um pouco de sua experiência. 

Confira a entrevista exclusiva realizada pelo AlternaFut com o atleta: 

Lucas Straub - Brasileiro que atua na Segunda Divisão do Futebol da Geórgia (Foto: Arquivo Pessoal)


1.   Como surgiu o convite para jogar em Países como Armênia e Geórgia, considerando que são muito distantes tanto geograficamente quanto 
culturalmente? Algum representante do clube estava no Brasil procurando reforços?

Para a Armênia surgiu através de um amigo, Dhiego Lomba, estávamos jogando juntos no Assu/RN 2017 e ele já tinha jogado em alguns países fora, inclusive na Armênia. Ele jogou na Armênia com o presidente do time que eu fui, FC Ararat Yerevan. Jogando juntos em Assu, ele me disse que o presidente do Ararat o perguntou se ele conhecia bons jogadores e novos, ele apresentou eu e Silas, que também jogava no mesmo time. O presidente do Ararat gostou dos vídeos e encaminhou nossa contratação.   
         
Quando eu estava na Armênia acabei tendo contato com um brasileiro que mora aqui em Tbilisi a bastante tempo, ele disse que tinha oportunidade de vir para um clube aqui: me apresentou o FC Dusheti Aragv e disse que queriam a minha contratação. Na época acabei não vindo, mas ficamos em contato e esse ano de 2020 acabou dando certo de vir.

2.   Como o povo da Geórgia se relaciona com o futebol? E quando você se apresenta como brasileiro, quais as referências de jogadores brasileiros que eles mais citam?

O povo Georgiano, gosta bastante de futebol! Apesar de não ser o principal esporte aqui, acredito que fica atrás do levantamento de peso, luta olímpica e rugby. O futebol está crescendo bastante e a cada dia ganha mais adeptos a prática. Na capital é comum você ver em cada esquina uma quadra sintética para prática de futebol. Muitas dessas quadras ainda estão vazias, mas é notável que o futebol está crescendo e o povo gosta e torcem demais.
Eles sempre dão referência a Pelé, Ronaldinho, Ronaldo, Romário. Acredito que esses 4 são os que eu mais escuto falar aqui, mas também escuto os georgianos dizendo que gostam do Neymar, Thiago Silva e Marcelo.

2.   É difícil você se relacionar com jogadores de outro país? A afinidade é a mesma com os jogadores nascidos no Brasil. na Geórgia ou na Armênia?
No início é mais complicado, pois eles são mais fechados, não são iguais os brasileiros que são bem receptíveis. Isso eu digo que é praticamente igual aqui na Geórgia e na Armênia, pois são países bem parecidos. Depois que você vai se adaptando, vai conhecendo, eles são bem receptíveis. Gostam de brasileiros, mas é claro que você também que se adaptar a eles, pois estou no país deles, isso conta muito. Uma situação que eu acho que facilita bem, é quando você está disposto a se introduzir na cultura deles, acredito que eles gostam e tudo fica mais fácil. Eu, graças a Deus, fiz boas amizades na Armênia e aqui também tenho bons amigos locais, isso faz com que a adaptação fique mais fácil.

3.   Como você lida com a questão do idioma? Você fala inglês, ou a língua local? Jogou com mais brasileiros no time na Armênia ou na Geórgia?
A questão do idioma realmente é bem complicada, tanto aqui e na Armênia. Nos dois países eu aprendi bem pouco, poucas palavras para o dia a dia, como bom dia, obrigado, como você está e etc.. o idioma é bem difícil.

Eu não sou fluente no inglês, mas estudei algum tempo no Brasil quando era menor, então eu consigo conversar bem e entender tudo o que é passado. Essa também é uma prática que eu procuro ficar bem atento para estar aperfeiçoando meu inglês. Aqui, como na Armênia, nem todo mundo fala inglês, a segunda língua predominante é o russo devido a antiga União Soviética. Então, tem pessoas que falam fluentes, outras igual eu e outros bem piores, só que no futebol dentro do campo você acaba se virando e dando um jeito de passar e receber informações.

Acredito que essa situação do idioma não seja uma barreira para mim, apesar de que se eu soubesse o idioma local iria facilitar muito. São coisas que vamos aprendendo e passando, como eu disse cada vez que você se introduz na cultura local, tudo fica mais fácil!

4.   Antes da paralisação devido ao Coronavirus, vocês jogaram dois jogos no campeonato e ambos foram empates. Qual era a meta para a temporada?

Minha equipe é debutante na segunda liga, eles tiveram 3 acessos nos últimos 4 anos, subiram da extinta quinta para segunda liga em 4 anos. A nossa equipe é de uma pequena cidade chamada Dusheti, fica a 54km da capital Tbilisi.

A meta é se manter na segunda liga por ser uma equipe debutante, mas jogamos dois jogos contra duas equipes tradicionais no país e que estão sempre jogando a primeira liga, dois empates por 0x0, onde no primeiro jogo contra o Wit Geórgia dominamos o jogo e não matamos, e no segundo contra o Gagra foi mais equilibrado e também tivemos alguns bons momentos na partida.

Esses dois jogos nos mostrou que vamos ter uma temporada boa e sólida em busca da permanência e se der para beliscar o acesso direto ou os play-offs, vai ser uma grande conquista e iremos fortes para o acesso.   

5.   Como está sendo lidar com a pandemia na Geórgia? Está treinando a parte física em casa?
A pandemia aqui está bem melhor do no Brasil, por exemplo. Aqui as autoridades adotaram medidas de prevenção e com isso o número de casos foi bem baixo. Aqui no país hoje (05/05) tem 600 casos, 9 mortes e 250 recuperados. Acredito que esses números teoricamente baixos comparando com outros países, foi devido às medidas adotadas, como toque de recolher, multas, paralisação de transportes públicos, privados.

As únicas coisas abertas aqui são mercados e farmácias, e mesmo assim não se pode ter mais de 5 pessoas dentro do estabelecimento, além de ser obrigatório o uso de máscaras e luvas em ambientes fechados. Mas isso também se deve à conscientização das pessoas, pois a Geórgia é um país com muitos idosos. Uma outra medida que acredito que deu certo, foi que muitas famílias saíram da capital e foram para as pequenas cidades bem afastadas para ficarem em quarentena. Aqui a previsão é de quarentena até dia 22 de maio e depois a vida ir retornando devagar ao normal.

Quanto a parte física, eu sempre tento manter em casa a parte física do jeito que eu posso, até mesmo em atividade normal, sempre tento me cuidar fazendo um extra de prevenção em casa. Sabemos que não é o ideal o treinamento em casa, porém nessa situação, são forças superiores em que só temos que aceitar e ficar em casa torcendo para que tudo isso acabe logo, para que possamos retornar aos trabalhos.


Lucas em atuação no futebol georgiano. [Foto/Reprodução: Arquivo Pessoal]


6.   Como é ser treinado por um treinador estrangeiro? A visão dele de futebol é muito diferente dos treinadores brasileiros com os quais você já trabalhou?

Eu gosto de trabalhar com treinadores que não são brasileiros também. Acredito que você acaba aprendendo culturas diferentes do futebol e que vai somando no seu crescimento e evolução. Eu ja tive a oportunidade de trabalhar com um no Brasil e depois aqui fora pela segunda e terceira vez. As vezes eles são mais duros, principalmente aqui nessa região da Europa, dão bastante duras e gritos (risos) mas é o jeito deles trabalharem e são bons profissionais.

Acredito que cada treinador seja brasileiro ou não tem seu estilo e visão de trabalho com futebol. Aqui nessa parte da Europa e com os dois treinadores que trabalhei aqui, o estilo de jogo deles realmente é um pouco diferente dos treinadores brasileiros ou que pelo menos se pratica aqui.         
Aqui o jogo é de muitas transições, não se valoriza muito a posse de bola, é um jogo maia vertical, rápido, de muita força e com muitas bolas longas e cruzamentos. Na Geórgia gostam que você de o mínimo de toque na bola e que você jogue para frente, mesmo que erre a jogada, mas que erre para a frente, com velocidade e força. Não gostam muito que você prenda a bola e nem trabalhe a jogada, que tentam chegar construindo da melhor forma que se pede no jogo. Eles querem que você seja agressivo na marcação e que quando roube a bola já faça a transição e resolva a jogada.

No Brasil, se costuma construir mais a jogada quando se tem a bola, até para se desgastar menos. Aqui o jogo é muito físico! Isso eu digo pelos times que trabalhei.     
 
7.   Você pode ser considerado um cigano da bola. Já jogou em mais de 5 estados do país e em três países. É muito difícil essa vida de em cada ano estar em um clube/região diferente? Como você lida com isso?

É, realmente eu sou um operário da bola, cigano. Acho que é a realidade de muitos atletas no Brasil que trabalham em times de menores investimento. Acho que isso já responde muito o por que eu joguei em alguns estados no Brasil, pois se faz contratos de 3, 4 meses e depois que acaba você tem que buscar uma nova situação para não ficar parado. O futebol no Brasil em times de menores investimento é bem difícil, a realidade é dura.

Eu acho que é uma situação bem difícil sim. Pois você acaba não criando uma estabilidade para a vida, uma identidade com uma determinada equipe. Acho que esses dois fatores são os mais complicados, até por que sabemos que a carreira do atleta de futebol é muito curta, e o atleta precisa de uma estabilidade para se preparar em outra área paralela, para quando encerrar a carreira. Você trocando de estado várias vezes, isso fica muito difícil.

Só que existe o outro lado da moeda, que o atleta precisa estar jogando, rodando, para conseguir situações melhores na carreira, pois se ficar parado 6 meses fica bem difícil de você conseguir se empregar depois. Ainda mais se tratando de times de menores investimento e de jogadores operários como eu e muitos que existem no Brasil, que são a grande maioria. Talvez, essas situações que me fizeram tentar vir buscar uma estabilidade e uma ascensão na carreira aqui fora em países menores.

Mas eu tento olhar tudo pelo lado positivo das coisas, e essas andanças pelo Brasil, me serviu muito para adquirir experiências boas e ruins (principalmente as ruins que me fez crescer mais como pessoa e atleta), conhecer cidades, culturas e fazer grandes amigos, que é isso uma das coisas mais importantes e que sou agradecido no futebol! Afinal se não fosse meu amigo Dhiego Lomba, eu não teria talvez a oportunidade de ter saído do Brasil. Apesar de tudo, sou grato ao futebol por tudo que vivi e que ainda posso viver!

8.   Em 2016, você atuou pelo Valério, de Itabira. Na primeira fase o time fez uma excelente campanha, tendo apenas uma derrota. No hexagonal final, emendou duas derrotas seguidas logo nas duas primeiras partidas. O que faltou para aquele time?

Essa pergunta sobre o Valério em 2016 é uma pergunta bem difícil de responder. Nós temos um grupo no Whatsapp dos jogadores e sempre falamos isso, que não sabemos o que aconteceu que perdemos as forças no hexagonal final. Sabemos que tivemos alguns problemas de pagamentos na época, eu mesmo ainda não recebi o que tenho pra receber rs.

Só que eu acredito que isso não influenciou, pois quando entramos dentro de campo é o nosso nome que está em jogo, e sempre estamos buscando algo melhor para nossa carreira. Mas essa pergunta é bem difícil pra te responder, por que não sabemos até  hoje o que realmente aconteceu pra um time com 1 derrota na primeira fase perder as forças do jeito que foi no hexagonal.

9.   Sente falta de jogar e morar no Brasil? Tem vontade de voltar a jogar aqui? 

Sim, sinto muita falta de jogar e morar aí! Principalmente por que meus familiares e namorada estão aí. Além do que o Brasil com todos os problemas que existem em todos os aspectos e no futebol (que eu já citei em outras perguntas), para mim ainda é o melhor país do mundo para se viver. É o país que eu amo e onde estão as pessoas que amo.

E sim, também tenho vontade de voltar a jogar aí, pelas situações que eu acabei de descrever! No futebol não devemos dizer a palavra nunca, ainda mais quando se trata do nosso país. Hoje eu estou aqui, mas daqui um ou dois meses tudo pode mudar! O futebol é muito dinâmico por si só e em tempos de pandemia fica mais ainda. Então eu não descarto nunca voltar ao Brasil, claro que tudo deve ser bem pensado e planejando junto com meu empresário, Mario.  
       
10. Quais são seus maiores sonhos como jogador?

O meu grande sonho de menino eu já realizei, que foi me tornar atleta profissional de futebol! Agora eu busco melhorias, situações maiores na minha carreira e poder quem sabe um dia estar satisfeito por ter chego em determinado estágio da carreira, poder viver 100% do futebol, colher os frutos e usufruir de tudo o que eu plantei, com a minha família que eu quero construir, meus pais e etc.

Procuro viver dia após dia, tentando ser melhor sempre e pedindo que Deus me guie e me dê discernimento para as escolhas dos meus caminhos para que eu possa estar sempre crescendo como atleta e ser humano.

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Carreira do Atleta: 


Nome Completo: Lucas Amarante Straub
Data de Nascimento: 06/04/1995
Naturalidade: Petrópolis - RJ
Altura/Peso: 1,87m e 85kg.
Carreira:

2014/2015 - Ferroviário AC/CE
2015 - Petrolina SFC/PE
2016 - CA Lemense/SP
2016 - Valeriodoce EC/MG
2017 - ASSU/RN
2017 - Grêmio Desportivo  Prudente/SP
2017/2018 - FC Ararat Yerevan/Armênia (1° divisão)
2018 - Pouso Alegre FC/MG
2019 - Sousa EC/PB
2019 - Serrano FC/RJ
2020 - FC Dusheti Aragvi/Geórgia (2° divisão)


Entrevista publicada em 11/05/2020


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